Por que você tem esses olhos tão tarados, Jack?

Aconteceu por esses dias. Sai pela cidade em busca de coisa alguma, que ficava exatamente em lugar nenhum. Acabei indo parar em um bar. Alguns amigos estavam a beber enquanto a conversa transitava entre política, mulheres, questões envolvendo a faculdade e, novamente, mulheres. Quando se é universitário, o leque de assuntos não é tão amplo quanto se pensa. A menos, claro, que você seja um desses intelectualóides dados a ler Sartre, Hume, Schiller e todos esses racionais do pensamento moderno. Claro que alguns deles são de extrema importância e devem ser lidos. Eu mesmo sou fã confesso de algumas teorias do meu caro Schop. Ando me interessando também por Nietzsche e Foucalt, mas ainda não dispensei alguns dias para a leitura de suas obras.

De qualquer forma, estávamos todos no bar. Lá pelas tantas, passou por perto uma daquelas moreninhas que nada tem de atraente no corpo, mas que carregam consigo uma aura mística que te encanta. Essas mulheres são a verdadeira razão de homens morrerem de amor. Não que eu tenha me apaixonado por ela, veja bem. Mas havia um “quê” de meigo e delicado na forma como seus pés se moviam, uma sensualidade sutil e nada erótica, quase sagrada, em como seus lábios se abriam e fechavam para formar as palavras que desperdiçava com suas amigas. Um sorriso que, embora sem muito brilho, ilumine aquele buraco escuro onde você chegou a enterrar o seu coração. Não bastasse isso, ela ainda trajava um vestido que lhe cobria o corpo até a metade da coxa. Era um vestido com incontáveis desenhos de flores, desses que as mulheres tanto passaram a usar.

Esse vislumbre durou não mais do que três segundos. Três malditos segundos. E veja bem, amigo: caso você tenha lido o meu relato sobre ela com o estado de espírito certo, terá concluído que o meu olhar, de forma alguma, demonstrava qualquer interesse erótico na garota. Era admiração.

Pois veja você que o meu respeitável amigo Humberto veio me dizer que eu a olhei de maneira errada. Ou, como ele mesmo me disse:

─ Por que você tem esses olhos tão tarados, Jack?
─ Olhos tarados? Do que tu tá falando, caralho?
─ Cê olha a mina como se ele já estivesse indo pular no seu colo. Quer dizer, olha seu olhar! Parece o olhar de um animal no cio.
─ Eu não fiz isso. Eu tava admirando a garota.
─ Admirando a possibilidade dela te dar um boquete, talvez.

Encerrei o assunto por ali, irritado.

Mas a verdade é que eu havia ficado triste.

Calma, não precisa se preocupar: esse não é mais um daqueles escritos em que o cara começa a despejar a tristeza dele por meio das palavras, como se o texto fosse a engrenagem e o óleo fosse representado pela melancolia da alma imunda dele. A tristeza é bacana até o ponto em que ela te coloca pra refletir. Viver por ela, procurar ela em todos os cantos, escrever coisas pensando nela não dá certo. Não é assim que a coisa funciona, não é pra isso que vivemos. Melhor deixar esse papo de tristeza pros jovens alemães que se suicidaram e pros ultraromânticos necrófagos.

Como eu disse, eu havia ficado triste. Eu sempre tive a consciência de dar muita atenção à parte sexual das coisas. Vai ver eu e o Freud somos tão pilhados com isso justamente por não praticarmos tanto. Isso me faz matar Freud a pau. Mas isso é conversa pra outro bar, outra bebida e outra reflexão. Então, como eu ia dizendo, conscientização do erótico na minha vida, certo. Em certo ponto, sempre disse pra mim mesmo que boa parte disso se dava pelo fato de ter pego meus pais trepando quando eu não passava de uma criança viciada em correr pela casa brincando com seus bonequinhos. Isso traumatiza qualquer um, amigo. Andar pela casa e, do nada, encontrar seu pai e sua mãe com as calças abaixadas, os corpos colados num ritmo frenético que conduzia a respiração de ambos enquanto aquela que te trouxe ao mundo pronuncia alguns sons incoerentes. Imaginar que a sua mãe trepa é uma coisa. Ruim, mas é uma coisa. Descrever a imagem vivida dela trepando é totalmente insano. Talvez eu devesse apagar essa parte e seguir adiante. Mas temo que isso faria com que o texto perdesse um pouco de força.

E a Literatura existe pra espantar os demônios quando a Psicologia e o álcool não são capazes de fazê-lo.

Bom, então eu peguei meus pais trepando. Claro que eu não entendi aquilo naquela época. Só a partir dos 11 anos, quando tive minha primeira masturbação e fui “pesquisar” sobre aquilo tudo, que eu consegui entender aquela porra toda. E ai foi como somar 2+2 e achar 5. Sim, 2+2 = 5. Pergunte ao Thom Yorke, cacete. O fato é que eu sempre achei normal falar de sexo, contar piadas envolvendo sexo, fazer citações sexuais, observar o sexo que há na vida, nos objetos, nas pessoas, no vento e até mesmo no nada. Até que vem um amigo e diz que você tá sempre olhando as mulheres como um cão no cio.

Talvez eu não vá saber colocar aqui em palavras o sentimento que me abateu naquela hora ─ sabe como é, não sou capaz de divagações extensas como a cachorra-louca da Lispector, nem mesmo como o subsoliano do Dostoiévski, que dirá então das descrições Tolkianas! Talvez eu esteja mais para a secura Graciliana. Acho melhor eu começar do começo, tentando criar uma escrita Jackiana. Se eu tiver sorte, consigo torná-la universal, acessível a toda e qualquer pessoa, caso lhe falte as palavras certas. Mas o sucesso disso é algo que só os fidalgos da teoria que permeiam as cadeiras acadêmicas poderão dizer.

Pois irei começar como sei fazer melhor: do começo.

Aquela frase me atingiu de tal maneira que eu vi ruir quase tudo o que eu era. Como se o ser que eu havia criado fosse de vidro e Humberto houvesse lhe arremessado uma pedra. Mas não uma simples pedra. Uma pedra tão dura quanto o diamante, tão afiada quanto um espinho e tão forte quanto … quanto … quanto o murro do SuperHomem, veja só! E ao contato com essa pedra, o ser/boneco se quebrou. Ou ao menos boa parte dele. Eu diria que uns 60%. Isso, uns 60% é um tanto bom. Então, 60%. E o que sobrou foi … o resto. O que não era sexual. O que era racional, o que era análise, o que era pensamento, o que era sentimento. E o que se quebrou foi o animal. O animal que tanto me guiou e mostrou o caminho a seguir. E ai eu voltei a ser aquele ser indefeso, sozinho, beirando à invalidez. Porque eu não sabia, e ainda não sei, ser de outra maneira que não pró-sexo. Não é só desejo, só necessidade de um pau entrando numa boceta macia e molhada ─ o meu, mais especificamente, e Deus há de prover para que eu faça isso muitas vezes ainda ─, entrando e saindo, se apertando lá dentro, até que venha aquela vontade incontrolável de gozar. Como naquele filme que vi uma vez em que o cara admitia trepar apenas pra sentir o vazio que se instala após o gozo. Não é tão simples assim. Quer dizer, nem isso é simples. A porra toda é muito mais complicada, cara. É como a busca dos alquimistas pelo elixir da vida eterna; como a busca do Rei Arthur e seus queridos cavaleiros da Távola Redonda pelo Santo Graal; como uma mãe que viaja o mundo só pela oportunidade de abraçar o corpo morto de seu filho. É desespero, é sentido de vida, é uma filosofia de vida, é um guia, é uma razão para continuar levando dia após dia. É prazer, é livrar-se da dor. Segundo aqueles mesmos pensadores da modernidade, somos todos doentes. Eu, você, seu pai, o meu, sua mãe, aquela boceta que você anda fodendo, e aquele pau que ela anda chupando sem você saber também.

Somos vítima e assassino na morte de nós mesmos.

Nos assassinamos desde o dia em que respiramos pela primeira vez. É tão dolorido chegar a esse mundo que a primeira coisa que fazemos é chorar. Choramos porque uns desocupados que não tinham vida sexual, há uns duzentos ou trezentos anos, acharam que seria legal levar a vida com base na Razão. Porque esses caras acharam que seria legal tirar Deus de nós. Assassiná-lo, como viria a afirmar Nietzsche em algum momento de sua incomparável sabedoria. Sabe, Deus não é um cara mal. Somos frágeis, cara. Somos acidentes esperando para acontecer. Somos gravetos esperando para ser esmagados. Deus era aquela casca grossa que ficava ao nosso redor e protegia a gente. Ainda que cada um tenha sua própria concepção de Deus, e eu seja estupidamente a favor desse tipo de posicionamento. Se eu tiver parecendo um padre, você pode parar de ler aqui e ir se foder, porque não tá entendendo nada do que eu senti naquele momento.

E então um bando de “pensadores” mata Deus, isso, claro, depois de afirmar que a Razão era a única forma de atingir a verdade. E aí nós enlouquecemos. E eles criam a Psicanálise. E a Psicologia. Dizem que elas seriam capazes de tratar as ansiedades humanas, salvar a alma ensandecida. Mas elas são passíveis de falhas ─ todo mundo já leu ou assistiu Laranja Mecânica. Afinal, como é que elas podem querer tirar a loucura do Homem Moderno, sendo que a Modernidade necessita da insanidade humana pra se perpetuar? Porra, é um ciclo vicioso, percebe? E é essa loucura que me move. Em mim ela assumiu a fome de sexo, de companhia carnal, de um boquete, de uma trepada rápida no trem. É a loucura, cara. A loucura é o presente da modernidade pra nós, compreende? Então, quando eu me proponho a ver sexo em tudo não é apenas por vontade de sair dizendo coisas sujas às garotas pra ver se elas irão corar, se irão sorrir ou se irão sair jogando a calcinha pra um lado e o sutiã pro outro ─ ainda que esse seja um dos principais objetivos. Quando faço isso, estou apenas buscando uma aspirina para a loucura que é esse tempo que vivemos. Porque, você sabe, a aspirina é a grande invenção do século XX. A aspirina carrega a cura pra todas as dores. E não precisa ser apenas em formato de remédio, cara. Pense no computador que tô usando pra escrever isso. Setenta anos atrás escreviam em máquinas de datilografar e antes disso era tudo manuscrito. E bem, bem antes disso, não havia nem a porra da imprensa pra fazer cópia de tudo o que se produzia. Pense no carro que você usa pra cruzar a cidade, ao invés de pegar um ônibus. No ar condicionado que te esquenta nas noites de calor insuportável.  E mais um monte de coisas que me fugiram à cabeça agora.

O sexo é a minha aspirina cotidiana. Não faço uso físico dele constantemente, mas a simples sugestão dele já é suficiente pra aliviar a dor de existir no mundo racional.

E o Humberto diz que não entende o porquê do meu olhar ser como é.

Será que você conseguiu entender? Creio que nunca saberei. O que eu sei, nesse exato momento, é que a Ella Fitzgerald não pára de cantar ao meu ouvido que nós devíamos nos apaixonar, que os pássaros fazem isso e até as abelhas fazem. Ella, com aquela voz poderosa e irresistível, diz que devíamos nos apaixonar, cara. Ah, meu amigo, o Jazz. O Jazz, o Blues, a música negra. A música, cara. A música é a aspirina da alma. Antes mesmo de se inventar o conceito de aspirina. Antes de se inventar a Modernidade e toda essa coisa de Razão como princípio da verdade e da vida. Antes, bem antes, cara. Antes, quando só existia Eru, o Único, que também era conhecido como Ilúvatar, e que criou os Ainur e lhes propôs temas musicais. Bem antes, cara. Não é àtoa que a música é chamada de Primeira Arte, entende?

A loucura encontra a cura na Música. E eu também.

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Oh, dear Apathy

Sabe, a apatia é uma vadia. E te digo porquê, camarada.

Ela chega bem de mansinho, tão imperceptível quanto aquela mosca filha-da-puta que te pica quando você tá dormindo, ou que fica zunindo no seu ouvindo. Depois que ela injeta em você o veneno, não tem cura pro mal que se instala. Ao menos eu não consegui achar ainda. A partir daí, as coisas sempre ficam com um “quê” a menos. Tudo parece sem graça, sem muito sentido, sem muito valor. Não é como o caso dos niilistas, que justificam tudo com um culto ao nada. Esses filhos perdidos de Nietzsche não conseguiram encontrar um rumo e embarcaram nessa vibe. Acredito que Nietzsche se remexe lá no caixão, ou seja lá em qual círculo do Inferno de Dante que ele esteja, ao ver esses jovens babacas desperdiçarem sua filosofia e o seu conhecimento assim. Porque você sabe como é, por mais que o pai ensine direito, sempre vai faltar alguma coisa ao filho, alguma vivência, alguma sensação, algum momento.

E então a apatia se instalou. E é isso o que ando vivendo há algum tempo. Me sinto como uma donzela leitora de romances de cavalaria ao dizer isto, mas as poucas vezes em que essa desgraçada da apatia ficou longe de mim foi quando eu me apaixonei. No ano passado eu me envolvi com algumas garotas. O punho ensanguentado chamado de coração que eu tenho no peito perdeu as estribeiras por quatro dessas garotas, cada uma com os seus pontos negativos e positivos, e isso não vem ao caso. O ponto é que eu comecei a ter alguns problemas com coisas que até então eu achava o máximo.

Por exemplo o teatro. Comecei a fazer teatro na faculdade – e a apatia se aplica a esta também, porque, a verdade é que a Academia não significa porra nenhuma; o que importa são as pessoas que você vai conhecer, a matéria é só pra te enquadrar em algum lugar. Então, comecei a fazer teatro na faculdade. E lá eles têm aquele ideal de arte pra cá, arte pra lá, a poesia isso, a poesia aquilo, a união faz a força, como se os mosqueteiros tivessem multiplicado por cinco, mas ainda mantendo a união como um só. Sabe, tudo isso é muito bonito e muito poético, e eu consigo ver um monte de pessoas sem muita coisa na cabeça batendo palma, aclamando tudo isso e dizendo “Ei, quero fazer parte”. Mas a real é que isso é uma merda.

Não quero dizer que eu seja contra a arte. Longe disso, sou o maior apaixonado pela arte, principalmente a música. O problema é que esse pessoal criado na era da internet começou a achar que pode tudo. A internet é bacana, tem um monte de informação e livros e sei lá o quê, mas ela não te coloca limites. E ai surge essa galerinha brincando de “internveção artística”, declamação de poema e toda essa merda. Entendam: poesia não é para ser declarada. Poesia é para ser linda, sentida. Poesia existe pra que a sua pífia existência tenha algum sentido, pra elevar o homem ao infinito que ele nunca irá alcançar nem com a ciência nem com a religião. O único momento em que a poesia deve sair da boca de alguém, é quando cantada em uma música. Não em uma praça cheia de militantes e de garotos e garotas com seus ideais libertadores e revolucionários sobre o sistema-que-nos-aprisiona-e-nos-acomoda.

Ah, existe outro momento em que a poesia pode saltar aos lábios: quando um pequeno grupo de amigos, quatro a cinco pessoas no máximo, estão reunidos em um lugar íntimo e existe entre eles uma ligação, um laço, um sentimento de pertencerem ao mesmo mundo espiritual. Afinal, a poesia é, antes de tudo, intimidade. Com as palavras, com as pessoas, com a vida. Com o amor e com a dor. E Caetano ainda pergunta pra quê rimar amor e dor.

Oh, dear Apathy
where have you been?

E ai esse pessoal vem com esse papo de que “o que vocês têm aqui são amigos, são pessoas íntimas que sempre irão te ajudar, irão te dar um ombro, um conselho” e toda essa caralhada. Como se conselho fosse pra se dar. Se fosse assim tão simples, o teatro seria a solução pro socialismo.

Pode ser que isso seja realmente bonito e que eu seja um completo babaca que anda convivendo demais com a apatia do Borges. Não descarto essa opção, ainda mais eu que sempre tento ver os dois lados da moeda, considerando que o mais transparente sempre será aquele que me tiver de pior maneira ─ mas tô mudando isso, amigo, tô mudando. De qualquer maneira, ainda que eu não tenha saco pra essas bajulações e essa arte barata, permaneço no grupo de teatro pra tentar aprender algumas coisas sobre interpretação, expressão facial, respiração e canto. Sabe como é, nunca se sabe quando vamos precisar contar uma mentira pra fazer uma garota abaixar a calcinha.

Tudo isso me dá vontade de fumar. Um maço de Dunhill seria bem vindo agora. De todos os cigarros que fumei, é o mais gostoso e mais prazeroso. O Lucky Strike só costuma ser bom quando eu peço o dos outros. O meu sempre parece doce demais. Só que eu tô com essa dor maldita na boca. Talvez eu vá ficar com dor de garganta.

Toda vez que fumo um cigarro, lembro do velho ao lado que teve de amputar a perna e do seu incompleto filho que disse que foi por culpa dos anos que o pai passou fumando. Basta eu sentir uma dorzinha na perna e já me vem aquele calafrio na espinha de que terei que amputá-la. Talvez eu vá realmente ter que fazer isso, de tanto ficar pensando sobre. Acredito muito nesse papo ai de força do pensamento da ciência noética. Isso sim é algo que vale a pena estudar sobre. E o mais interessante é ter lido isso num livro do Dan Brown. As ironias da vida são outra coisa que mandam a minha apatia embora.

Oh, dear Apathy
don’t walk away

I need you
to make me ok

Queria ter conhecido o velho Buk e o bom Vinícius de Moraes. Essa foto dos dois juntos me enche de alegria. É como se dois deuses de culturas diferentes se encontrassem e, ao invés de cair numa disputa imbecil pra ver quem é mais poderoso, eles apenas se sentassem em uma mesa e começassem a beber e a falar de quantas mulheres se envolveram, das mazelas da vida, dos cigarros que fumaram e das noites de boêmia que passaram sem nem mesmo encontrar o caminho de casa. E quando acabavam as histórias, eles simplesmente recomeçavam a beber, Vinícius pegaria seu violão e improvisaria alguns versos, junto do Velho Safado, naquela salada linguística entre o português e o inglês. Isso me lembra que, às vezes, tenho uma certa raiva da minha lingua-mãe. Quer dizer, existem expressões no inglês que são muito mais divertidas do que no português. O bom e velho pal é bem melhor do que amigo. Outro é aquele You know, man… Se alguém falar Tá ligado, cara eu vou pensar que ele ou é retardado ou tava se drogando há alguns dias. São coisas pequenas, sim, claro. Mas essas coisas pequenas são o que me afastam da apatia quando não tenho nenhum amor ou quando tô sem música. Ou sem cigarro.

Caralho, eu queria um cigarro agora. E queria um par de pernas macias pra macular meus lábios.

Oh, dear Apathy
where have you been?
Oh, dear Apathy
don’t walk away
I need you
to make me ok

Oh, dear Apathy
sit down and drink with me
cause the day’s gone
and I have nobody else
to talk

Oh, dear Apathy
do as that Rammstein song
and be my little bitch
cause I need to fuck somebody

Oh, dear Apathy
dear, dear Apathy

eu queria ser um cavaleiro e poder viajar por cidades e reinos distantes, salvar donzelas, matar dragões e orcs, desbravar masmorras e viver sobre a justiça da espada. ter um cavalo que me fosse não um meio de transporte, mas uma extensão do meu corpo-alma-pensamento. lutar guerras que nada tem a ver comigo só pelo calor do aço contra aço. talvez até me tornar um lorde, ou general, embora esse não seja o objetivo principal.
mas não sou um cavaleiro, não tenho um cavalo e nem mato dragões. então fico a escrever sobre as lutas que não batalhei, os amigos que não conheci, as traições que não sofri, as tavernas em que não bebi e as fêmeas com quem não forniquei.

  • ─ Não sou bardo. Sou escritor.
    ─ Ninguém se importa com essa diferença. Além de bardos e escritores.

  • "A vida não é de brincadeira, amigo. A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Há sempre uma mulher à sua espera, com os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão. Põe um pouco de amor na sua vida, como no seu samba."
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  • "Não vou que eu não sou ninguém de ir na conversa de esquecer a tristeza de um amor que passou! Não! Eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer na manhã de um novo amor. (...) Pergunte pr'o seu Orixá, amor só é bom se doer."
  • "Acho que sorte é produto do pensamento, do sonho. Eu acho que o pensamento é uma forma de ação às vezes mais eficaz do que a fala. Porque a fala é pervertida demais. A gente fala pra tudo. A maior parte do dia, a gente passa falando qualquer coisa ou jogando conversa fora. E aí tem uns momentos de iluminação, de franqueza. Mas o pensamento é uma conversa interna, a gente é muito mais franco e muito mais contundente no pensamento. Então, eu só tenho a opção de acreditar que o pensamento tem um poder de ação muito incrível. E que o sonho, no sentido mais amplo, no sentido do desejo, no sentido do afeto e no sentido literal do sonho, de dormir e sonhar, eu só posso acreditar que isso tenha um papel fundamental na construção do destino, ou seja, no caos, no acaso."